
O Congresso Nacional de Estudantes foi realizado nos dias 11, 12 , 13 e 14 de junho de 2009 no Rio de Janeiro. A partir de um Congresso construído e discutido nas bases das Escolas e Universidades do país, foi possível armar o conjunto dos estudantes com um programa claro em defesa da Educação de Qualidade.
Além dos intensos debates que permearam os dias do Congresso, a aprovação de um calendário de lutas unificado com os trabalhadores, pois só assim é possível garantir as transformações que o país precisa, o CNE apresentou ao conjunto do Movimento Estudantil um programa para a atuação da recente entidade fundada, a Assembleia Nacional de Estudantes –LIVRE. Abaixo as resoluções aprovas no Congresso de fundação da ANEL:
Resoluções do Congresso Nacional de Estudantes – 2009
Conjuntura
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Que os ricos paguem pela crise!
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Unificar estudantes e trabalhadores com um programa classista e antigovernista para que a crise seja paga pelos capitalistas.
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Nenhum centavo para banqueiros, empresários e latifundiários! Não aos 160 bilhões doados pelo governo Lula/ PT para os banqueiros.
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Re-estatização sem indenização das estatais privatizadas! Pela imediata re-estatização da Embraer sob controle dos trabalhadores.
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Nenhuma redução de salários e direitos.
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Organizar comitês nas escolas e universidades contra as demissões.
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Por uma resposta política classista e proletária à crise do capitalismo
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Não às demissões! Impulsionar a Campanha com o abaixo-assinado da Conlutas. Organizar a luta permanente dos trabalhadores e da juventude contra as demissões! Exigir do governo Lula uma medida provisória que proíba as demissões e garanta a estabilidade no emprego. Exigir do governo Lula e retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti. Exigir de Lula uma medida provisória que garanta o passe-livre federal para os estudantes, desempregado e jovens até 21 anos. Nota Pública exigindo de Lula o repúdio à presença da PM do campus da USP.
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Contra o governo neoliberal de Lula/ PT. Oposição de esquerda ao governo Lula.
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Contra as Reformas neoliberais.
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Não ao pagamento das dívidas externa e interna. Ruptura com o FMI já!
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Em defesa do socialismo como estratégia de luta dos estudantes
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Acumular o debate no conjunto do ME sobre a participação no processo eleitoral e apoio a candidaturas.
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Reforma Agrária Radical sob controle dos trabalhadores
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Expropriação dos latifúndios e nacionalização das terras, proteção dos pequenos e médios produtores, acesso dos camponeses expulsos da terra.
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Expropriação e nacionalização dos bancos. Criação do banco estatal único e proteção dos pequenos poupadores.
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Pelo salário mínimo vital a ser calculado pelas assembléias de base.
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Abaixo a corrupção! Prisão e confisco dos bens de corruptos e corruptores.
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Fora Yeda! Apoio à luta dos estudantes e trabalhadores do Rio Grande do Sul!
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Não à criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.
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Todo apoio à luta e à resistência dos trabalhadores e da juventude em todo o mundo.
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Fora as Tropas brasileiras do Haiti.
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Independência da classe trabalhadora para lutas frente a todos os governos latino-americanos. Contra os ataques de Chavez, Morales, Lugo e Correa à auto-organização dos trabalhadores.
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Contra o governo imperialista de Obama.
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Fora as tropas imperialistas do Iraque e Afeganistão.
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Controle operário da produção
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Acesso irrestrito ao alimento seguro e de qualidade a toda a população.
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Estatização sem indenização das empresas que demitirem! Sob controle dos trabalhadores.
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Realização de uma campanha nacional contra a crise exigindo: nenhuma demissão; re-estatização das empresas que demitirem em massa; re-estatização das estatais privatizadas, tais como Vale, Embraer, Petrobrás, etc.
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Reajuste geral de salários de acordo com a inflação! Escala Móvel de Reajuste.
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Para que todos possam trabalhar: Redução da Jornada de Trabalho sem redução de salários.
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Não ao PAC! Por um verdadeiro Plano de obras Públicas que garanta emprego, hospitais, escolas e moradia para toda a população.
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Não ao corte no orçamento das áreas sociais, como Saúde e Educação.
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Por uma América Latina Soberana! Não à ALCA e os demais acordos de Livre comércio na América Latina: TLC’s, ALBA, Mercosul, etc.
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Todo apoio à resistência palestina! Contra a agressão do Estado de Israel ao povo palestino.
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Pelo fim de todas as sindicâncias e processos contra os lutadores. Fora polícia das universidades, dos morros e favelas.
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Pela descriminalização do uso das drogas e um profundo debate sobre o tema.
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Pela estatização do Sistema Financeiro
Educação
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Por uma Educação Pública, Gratuita, laica, democrática a serviço dos trabalhadores.
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Por uma universidade a serviço da classe trabalhadora.
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Verba pública somente para a educação Pública.
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Defesa do ensino público nos três níveis da Educação.
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Nenhum centavo a menos para a Educação Pública! Não ao corte de 10,6% do orçamento da Educação.
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Nenhum centavo aos banqueiros e empresários! Aumento de verbas para a Educação em todos os níveis.
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A Educação não vai pagar pela crise. 10% do PIB para a Educação já!
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Contra a Reforma Universitária do governo Lula e do Banco Mundial.
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Não ao IFET de Lula. Revogação do Decreto 6095/07 já.
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Em defesa da autonomia Universitária.
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Ampliação de vagas nas Universidades Públicas, principalmente nos cursos noturnos, com contratações e aumento da infra-estrutura. Não à demagogia dos governos de expansão sem verbas e contratações, como o REUNI e os projetos de ensino a distância.
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Pelo anti-REUNI: melhoria dos cursos atuais, mais turmas, ao invés de mais alunos nas turmas, por mais docentes e melhor remuneração, por mais servidores e jornada de trabalho de 6 horas, por instalações atuais reformadas, pela independência material das pesquisas acadêmicas – nenhum atrelamento ao mercado e às empresas, pela ampliação da oferta de vagas públicas e conversão em públicas das Universidades privadas.
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Contra o ENADE/ SINAES.
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Revogação dos pontos já aprovados da reforma Universitária: PROUNI, SINAES/ ENADE, Lei de Inovação Tecnológica, PPP’s, ensino a distância, entre outros.
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Fora Fundações Privadas! Não às Fundações estatais de Direito privado.
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Ampliação da Assistência Estudantil com qualidade.
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Em defesa das políticas de permanência estudantil sem atrelamento ao desempenho acadêmico e avaliador.
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Fim da classificação das IES em Universidades, Centros Universitários e Faculdades.
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Acesso aos estudantes com deficiência mental leve às Universidades, pois os mesmos acabam sendo barrados porque as universidades alegam insuficiência e que os mesmo não são capazes de abranger conhecimento, sendo que o real motivo é que, por lei, eles são bolsistas e para o sistema neoliberal das universidades privadas, eles não revertem em lucros.
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Participação ativa na revisão curricular pelos estudantes
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Proporcionalidade nos processos seletivos, que os trabalhadores e seus filhos ocupem, em todos os níveis de Educação, a mesma proporção que existe na sociedade.
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Eleições diretas e paritárias para Reitor e todos as instâncias das Universidades! Fim da lista tríplice! Paridade nos órgãos colegiados Já!
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Que os estudantes e funcionários possam votar e ser votados.
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Nenhum centavo a mais para os tubarões do ensino.
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Abertura das contas das Universidades privadas.
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Investimento massivo nos ensinos fundamental e médio e contratação de professores efetivos com incorporação dos temporários.
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Organizar calendários de mobilizações contra a proposta do MEC acerca do fim da disciplinaridade no ensino médio.
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Fim da progressão automática, inclusão obrigatória de educação sexual, filosofia, sociologia, psicologia, História e cultura da África e da América Latina.
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Acumular e aprofundar o debate sobre o ensino religioso nas escolas.
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Promover o Congresso Nacional da Educação como forma de expandir o debate e oportunizar que atores fundamentais (como professores, servidores e outros) possam colocar suas propostas e a partir daí, garantindo a consolidação das novas diretrizes para a Educação.
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Redução da jornada de trabalho do jovem para 4 horas por dia, sem redução salarial.
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Pelo fim da precarização prevista na Lei do Estágio. Que os estágios deixem de ser uma forma de precarizar ainda mais o trabalho do jovem trabalhador que estuda. Direitos trabalhistas para todos os estagiários.
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Por concursos públicos transparentes na escolha de docentes, com acompanhamento dos CA’s, DA’s e DCE’s.
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Pela valorização do professor e autonomia do trabalho docente.
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Melhores salários e condições de trabalho para os professores, melhores instalações e recursos materiais (laboratórios, bibliotecas, material didático, etc.).
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Fim do critério mercadológico para as pesquisas e projetos de extensão
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Impulsionar uma campanha nacional contra a terceirização nas universidades, em especial nos RU’s. Pela efetivação dos trabalhadores terceirizados, com salários e direitos iguais aos já efetivos. Defesa dos trabalhadores frente e qualquer tentativa de repressão.
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Fim do vestibular. Livre acesso à Universidade.
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Fim do ensino a distância! Abertura imediata das vagas presenciais para os estudantes matriculados em cursos a distância.
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Em defesa da expansão das vagas. Não ao REUNI de Lula.
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Organizar a Ocupação de Reitorias em nível nacional contra o REUNI e o corte de verbas para a Educação.
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Realização de uma atividade nacional contra o REUNI com articulação dos estudantes, professores e servidores das Universidades.
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Não à perseguição aos inadimplentes! Fim do CINEB já! Fim das catracas: abrir as portas das Universidades. Anistia a todos os inadimplentes.
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Redução radical das mensalidades Já
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Pelo fim do ensino pago
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Abertura dos livros-caixa e auditoria das contas das Universidades privadas, especialmente dos 10 principais grupos monopólicos do ensino privado (como o grupo Anhanguera e o Estácio de Sá), visando a estatização sem indenização, bem como de toda Universidade que ameace fechar ou falir.
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Pela livre manifestação e organização política, cultural e ideológica nas universidades.
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Abertura das Universidades para os movimentos sociais.
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Acesso livre para a utilização de espaços da Universidade para as atividades do movimento estudantil.
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Não à cobrança de mensalidades na rede SESI no ensino médio e técnico.
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Inclusão de Marxismo e Educação ambiental crítica ao currículo.
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Cotas para deficientes no vestibular, tendo em vista que os concursos para cargos públicos já a possuem. Junto a essa luta, são necessários a luta e apoio à acessibilidade para esses estudantes tanto no ensino básico, quanto no superior, bem como preparo para os professores que forem dar aulas a esses alunos.
Saúde
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Contra a privatização da Saúde. Mais verbas Públicas para o SUS.
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Lutar pelos SUS e pelos seus usuários para que a igualdade, equidade e universalidade, garantida pela Constituição de 1988, sejam garantidas na prática.
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Formação do profissional da área de Saúde voltada para atenção à saúde integral da população.
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Não à privatização dos serviços Públicos. Contra as Fundações Estatais de Direito privado.
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Derrubada da Portaria nº 92/08 (que trata sobre as Fundações Estatais de Direito privado).
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Assistência farmacêutica não mercantilizada.
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Pela quebra das patentes dos remédios anti retro virais.
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Contra o programa Farmácia Popular, pela assistência farmacêutica vinculada ao SUS, como garantida pela Constituição de 1988.
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Em favor de farmácias como estabelecimento de saúde
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Pelo acesso universal da assistência farmacêutica, com a estatização das redes de farmácias que detém o monopólio de medicamentos.
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Pelo fim da comercialização da Saúde.
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Contra a desvinculação e privatização dos HUE’s. Por HUE’s gratuitos e de qualidade, inseridos inteiramente ao SUS, e com controle social.
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Não à privatização dos Hospitais Universitários (HU’s).
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Efetivo financiamento público dos HUE’s, que se dê por ministérios relacionados à área e com o Ministério da Educação como responsável.
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Defesa das resoluções da XIII Conferencia Nacional de Saúde que são contra as Fundações Estatais de Direito provado
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Pelo fim dos Hospitais Psiquiátricos.
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Aprofundar os conjunto das resoluções sobre Saúde no Seminário Nacional sobre Saúde articulado e construído pela ANEL junto a outras entidades dos movimentos sociais
Movimento estudantil
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Por um movimento estudantil que defenda os interesses das classes populares.
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Fundar uma nova entidade, como alternativa a UNE, para coordenar e impulsionar nacionalmente a luta dos estudantes.
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Criação da Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL) como uma nova entidade nacional dos estudantes alternativa à UNE.
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Filiação da nova entidade à Conlutas.
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Por uma nova central Sindical, Popular e estudantil produto da fusão da Conlutas com a Intersindical em um Encontro com real participação da base.
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Construção de uma Plenária conjunta entre a ANEL e a Frente de Oposição de Esquerda da UNE, pra organizar as lutas.
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Pela independência financeira do movimento estudantil!
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Pela manutenção do pleno direito à meia entrada, contra a cota de 40%. Exigimos nosso direito por inteiro e não pela metade! Não à restrição da meia entrada! Não ao monopólio das carteirinhas da UNE e da UBES! Contra a CIE – Carteira de Identificação Estudantil, que é a volta do monopólio.
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